O desenho da Pixar (WALL-E) foi desenvolvido com uma carga de realismo futurista que espanta até os mais antigos cinéfilos que gostam de revisitar algumas obras-primas. Comigo não foi diferente.

Mais de 10 anos se passaram desde o o seu lançamento. Sendo uma das mais aclamadas animações já feitas para o cinema, Wall-E é um filme de animação de 2008 produzido pela Pixar Animation Studios e dirigido por Andrew Stanton. A história segue um robô chamado WALL·E, criado no ano de 2100 para limpar a Terra coberta por lixo. Ele se apaixona por um outro robô, chamado EVA, que tem a missão de encontrar pelo menos uma planta na superfície do planeta Terra. Ele a segue para o espaço em uma aventura que irá mudar seu destino e o destino da humanidade.

WALL-E | Uma previsão do nosso Século

Feito para todas as idades, WALL-E é um filme que agradou os adultos por causa do seu enredo que aborda, com uma certa delicadeza, temas como a proteção do meio ambiente, a questão do consumo desenfreado e os avanços tecnológicos do nosso tempo. Isso acaba nos levando a uma reflexão profunda de como o nosso mundo tem evoluído neste sentido, e quais as consequências e como lidamos com elas.

O filme dirigido por Andrew Staton, foi aclamado pela crítica especializada, conseguindo um índice de aprovação de 96% no agregador de resenhas Rotten Tomatoes, vencendo o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação, o Hugo Award de Melhor Apresentação Dramática, Forma Longa, e o Oscar de Melhor Filme de Animação, recebendo outras cinco indicações em diferentes categorias. WALL-E aparece em primeiro na lista da TIME dos “Melhores Filmes da Década”.

Se este fato não for o bastante para nos permitir dizer que é um filme atemporal, podemos pelo menos verificar os fatos que tentam corroborar com esta afirmação.

A QUESTÃO AMBIENTAL

No filme WALL-E , a terra é um lugar inabitável e coberto por lixo, resultado do consumismo em massa, facilitado por uma megacorporação chamada de Buy-n-Large (BnL). Desistindo de restaurar o ecossistema, a BnL evacuou a Terra, levando a população a viver no espaço em uma nave estelar chamada Axiom, totalmente automatizada, deixando no planeta apenas um exército de robôs compactadores de lixo chamados “WALL-E” para limpeza durante um período de cinco anos. Entretanto, no ano de 2110, o ar da Terra se tornou muito tóxico para suportar a vida, forçando a humanidade a permanecer no espaço indefinidamente.

WALL-E | Uma previsão do nosso Século

Dessa forma, podemos discutir vários temas, como por exemplo, a problematização do lixo: como resolver a questão dos lixo que nós produzimos? (cerca de 76% do lixo diário brasileiro, que chega a 70 milhões de quilos, são despejados em céu aberto. Somente 10% vai para lixões controlados, 9% vai para aterros sanitários e somente 2% é reciclado). Muitas das enchentes urbanas são causadas por esse acúmulo de lixo, que escorre e acaba entupindo os esgotos, gerando alagamentos cada vez mais perigosos para a população.

O lixo é um fenômeno puramente humano, e por isso, considerado uma ação direta do homem na natureza. O lixo fica mais evidente nos países subdesenvolvidos onde muitas vezes não existe um sistema de coleta de lixo, característica que demonstra a fragilidade das políticas assistenciais. O lixo não é somente um problema de caráter ambiental, mas também de saúde e qualidade de vida, desse modo a sua coleta configura como um dos principais serviços públicos que devem e podem ser utilizados para combater este péssimo, mas inevitável, hábito humano.

CONSUMO TECNOLÓGICO PELO SER HUMANO

O diretor de WALL-E diz que o filme agradou os adultos por causa do seu enredo que aborda assuntos como meio ambiente, a questão do consumo e os avanços tecnológicos. Percebendo assim, que muitos comentaristas colocaram ênfase no aspecto ambiental da complacência humana, porque “essa desconexão será a causa, indiretamente, de tudo que acontecerá de ruim na vida da humanidade ou do planeta”. Stanton disse que ao tirar o esforço do trabalho, os robôs do filme WALL-E também tiraram a necessidade da humanidade de investir em relacionamentos. O jornalista cristão Rod Dreher viu a tecnologia como a faux breitling complicada vilã do filme. O estilo de vida artificial dos humanos abordo da Axiom os separou da natureza, transformando-os em “escravos da tecnologia e de seus próprios apetites básicos, tendo perdido aquilo que os faz humanos”.

WALL-E | Uma previsão do nosso Século
WALL-E | Uma previsão do nosso Século

Um detalhe dessa imagem acima. A Toyota não recebeu essa mensagem, pois em 2012 eles lançaram sua cadeira dirigível, ou melhor, desculpe, “Personal Mobility Concept”, com funcionalidades bem próximas a do filme WALL-E .

WALL-E | Uma previsão do nosso Século
WALL-E | Uma previsão do nosso Século

As telas holográficas flutuantes de WALL-E não são comuns, mas existem. O que é excepcionalmente comum, no entanto, são os anúncios colados nas nossas telas e, em particular, em todos os nossos meios de comunicação. O número de anunciantes no Facebook triplicou de um milhão em 2013 para três milhões hoje, enquanto os usuários do Skype estão cercados por anúncios da mesma maneira que na foto acima.

WALL-E | Uma previsão do nosso Século
WALL-E | Uma previsão do nosso Século

Embora seja difícil descobrir o número exato de anúncios que estamos expostos a um dia, os especialistas tradicionalmente adivinharam algo entre 300 e 5.000. A publicidade on-line apenas agrava isso, já que em 2012 o Google revelou que tinha atendido uma média de 29,741,270,774 impressões de anúncios por dia.

De fato, a tecnologia e suas mídias digitais vieram para ficar, mudaram a forma do ser humano se comportar diante dos seus semelhantes, e isso tudo resultou em novos problemas a serem resolvidos. A utilização excessiva da tecnologia resulta em diversos problemas de saúde, tais como: problemas de audição, alteração da visão, dores em mãos e pescoço, insônia e transtornos psicológicos, sem contar o problema do vício tecnológico.

Tecnologicamente falando, Wall-E antecipou uma realidade que já estava em curso naquele momento. Nas cenas onde os humanos aparecem, eles são satirizados como preguiçosos e obesos que não se comunicam verbalmente. Justamente os problemas que carregamos neste século e que ainda buscamos resolver.

As espreguiçadeiras, que parecem redes ambulantes, servem de muletas para os humanos do filme WALL-E, onde eles só se comunicam replica watches por meio de gadgets e vivem colado às telas de celulares e tablets. Em 2019, essa realidade não só ainda mais profunda, como a analogia com o presente também faz sentido.

Hoje, basta ligar a TV para ter todo um catálogo de filmes e séries na Netflix e em outras plataformas de streaming. Ninguém precisa sair de casa se tiver um cartão de crédito internacional, compras online já são realidade. Se a intenção de WALL-E era fazer uma observação sobre as relações humanas modernas e alertar para o destino que o nosso comportamento pode nos levar, podemos dizer que o filme continua atual e acertando suas previsões.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui