Há uma grande quantidade de curiosidades entre o Homem-Aranha: Longe de Casa e o seu antecessor.

No primeiro filme da MCU Peter Parker foi relegado a ser o “Homem-Aranha Amigo da vizinhança” quando ele, na verdade, aspirava fazer parte da equipe dos vingadores.

Neste, ele está se esforçando para desfrutar de uma vida normal enquanto é empurrado para mais uma aventura.

Peter Parker entra na pele do Homem-Aranha buscando o amadurecimento. Descobrir quem ele é, e onde ele se encaixa, dentro dos eventos ameaçadores que colocam seus amigos mais uma vez em perigo.

Homem-Aranha: Longe De Casa se ancora na pressão e na dificuldade dessa busca. Ele se sente sobrecarregado. Tenta viver de acordo com o legado do seu ídolo, ao invés de chamar a atenção das pessoas como o “rastejador de paredes”. A luta pessoal fundamenta tanto a aventura itinerante quanto o humor bobo que são maravilhosamente expostos ao longo do filme.

Essa é a coisa mais impressionante do Longe De Casa – são tantos filmes de uma vez, sem nunca perder a unidade de propósito ou consistência tonal.

É um filme de super-herói, com o número apropriado de bandidos, reviravoltas e confrontos coloridos. É um diário de viagem, com Peter e seus colegas de classe percorrendo vários locais europeus pitorescos.

É uma história de amadurecimento, que tira proveito da sombra de Tony Stark, dentro de um universo cinematográfico construído em torno do personagem. E é, com certeza, uma comédia cheia de risadas bobas que mantêm o filme leve e divertido, apesar de suas apostas ameaçadoras e das dificuldades pessoais em seu núcleo.

Além do entusiasmo comum da MCU, há um tom mais leve e divertido, que faz com que esses filmes de Spidey sejam premiados. Longe De Casa também torce o humor das interações desajeitadas entre adolescentes.

Enquanto um triângulo amoroso entre Peter, M.J. e o recém-chegado Brad parece um pouco artificial, na maior parte, o filme caminha na linha entre o realismo exacerbado dos quadrinhos, e os absurdos da juventude. Os testes com as dificuldades das amizades, romances e expectativas são todos relacionáveis aqui, mesmo se equipados com explosões.

Homem aranha: Longe de casa - Análise
Homem aranha: Longe de casa

Mas também são divertidos! Além das paisagens deslumbrantes, onde ocorreram as filmagens, em Veneza ou Praga. O Homem-Aranha nunca pareceu tão bem em ação ao vivo, pulando através dessas impressionantes cidades enquanto a câmera segue os seus saltos no telhado. Em sequências perigosas como numa roda-gigante, a equipe de edição fez um bom trabalho para equilibrar o turbilhão e o enxame de uma ameaça sobrenatural.

E enquanto algumas das sequências eram totalmente feiras em CGI, o o filme aproveita a presença de Mysterio para alguma criatividade visual. Essas cenas fazem o Homem-Aranha transbordar em um pesadelo que duplica suas inseguranças mais profundas.

Além do elenco jovem, que são tão afiados e agradáveis como no filme anterior, o representante do MCU é o tal Nick Fury, que também se junta a equipe com seu peculiar humor dos outros filmes.

Jake Gyllenhall faz um bom trabalho como Mysterio, tanto em seu modo ‘irmão mais velho’, quanto também na figura de ‘ex-funcionário magoado’. O personagem tem intriga e mágoas legítimas com Tony Stark, que acrescentam profundidade à sua motivação.

Jake Gyllenhaal and Tom Holland star in Columbia Pictures' SPIDER-MAN: ™ FAR FROM HOME.
Jake Gyllenhaal and Tom Holland star in Columbia Pictures’ SPIDER-MAN: ™ FAR FROM HOME.

A noção do mundo pós-super-herói desconstrói levemente tanto o mundo do MCU quanto o atual momento cinematográfico, com Gyllenhall vivendo de acordo com cada um desses dois universos..

Entretanto, o mais surpreendente é Jon Favreau como Happy Hogan, que faz alguns tropeços previsíveis e alguns flertes com tia May, mas que finalmente dá a Peter o que ele precisa para seguir em frente.

Com um foco central tanto de protagonista e antagonista reivindicando e vivendo até o legado de Tony Stark, e constantes lembretes visuais da marca que o Homem de Ferro deixou no mundo, Happy diz a Peter a coisa mais importante que ele poderia: que Tony estava uma bagunça.

Há uma distância entre a imagem cristalina que nossa cultura molda nossos heróis e a realidade de quem eles realmente são. Há um conforto para Peter, sabendo que o verdadeiro Tony Stark, aquele que viveu e vacilou, além de quadros pintados em murais, duvidou de si mesmo e se atrapalhou e fez tantas bagunças quanto resolveu.

Homem-Aranha: Longe de Casa sinaliza um pouco com suas faixas musicais, mas percebendo que seu ídolo é imperfeito e humano, ele relaxa e faz o que sabe de melhor para as pessoas que ele gosta, o que o torna mais parecido com Tony, ele mesmo percebe isso.

A cena também funciona como uma bênção de Jon Favreau, que dirigiu o primeiro filme do Homem de Ferro, para a próxima fase do MCU, sem Stark. Seu discurso é um reconhecimento de que os filmes que estimularam essa enorme franquia não eram perfeitos, apesar de sua veneração e consternação, e que há muito espaço valioso para ser explorado nos filmes que estão por vir.

Esse terreno será coberto por um Homem-Aranha, e esperemos que uma tripulação distinta de outros heróis, que melhor entendam o seu lugar neste mundo. Peter Parker deixa o Longe de Casa como uma pessoa diferente do que quando começou. Como em Homecoming, ele fez as pazes com o espaço entre onde ele está e onde ele queria estar, mesmo que, como sugere a cena pós-créditos, exista muito mais desafios, pressões e ameaças por vir.

CRÍTICA
NOTA
8
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