Saudações novamente da escuridão. Hippies, westerns, saias curtas, músicas pop cativantes … todos (que na maior parte) desapareceram do nosso mundo.

Voltar para salvar o dia e as memórias e torcer um pouco a história, isso é ser Quentin Tarantino. O seu último trabalho nos reativa a lembrança sobre uma época onde tínhamos estrelas de cinema e filmes antigos… uma indústria que já foi amada e que tem nos servido de suporte vitalício. Há muitas cartas de amor para Hollywood, mas poucas foram filmadas com tantos toques pessoais como os filmes do diretor.

É um pedido razoável, já que o filme é tão único e repleto de nostalgia, piadas e fragmentos históricos – alguns precisos, porém outros nem tanto.

Há muito a ser absorvido e processado, e o impacto inicial pode resultar em admiração, choque ou repulsa … e talvez até mesmo todos os itens acima. Portanto, essa será uma visão geral bastante simples, para não estragar a sua experiência.

Sobre o filme Era Uma Vez em… Hollywood

O filme acontece no período de seis meses em 1969. Mas, na realidade, tudo acontece (pelo menos o que vemos na tela) em 3 dias. Leonardo DiCaprio interpreta Rick Dalton. Um ator que teve um sucesso (fictício) numa série de TV nas décadas de 50 e 60 intitulado “Bounty Law”. Desde que a série terminou, Rick não consegue fazer a transição bem sucedida para o cinema.

Para efeito de comparação, pense em Clint Eastwood, Steve McQueen e Burt Reynolds. Todos os atores dos Westerns da TV que encontraram maior sucesso profissional em filmes.

Brad Pitt faz o papel na pele de Cliff Booth, um dublê de Rick, amigo, motorista, faz-tudo, etc. Enquanto Rick está desesperado para dar um próximo passo em sua carreira. Cliff, um veterano do Vietnã, está aceitando sua sorte na vida.

Rick e  Cliff Booth conversando em Era Uma Vez em… Hollywood
Rick e Cliff Booth conversando em Era Uma Vez em… Hollywood

Rick mora em uma casa chique de Hollywood Hills, ao lado do diretor do elenco, Roman Polanski. Cliff mora em um trailer atrás do Van Nuys Drive-In com seu bem treinado Rottweiler Brandy.

Existem várias histórias paralelas a seguir, e uma chave envolve a mencionada Sharon Tate. Margot Robbie faz o seu papel com a energia e aura que imaginamos possuir.

Os três atores (DiCaprio, Pitt, Robbie) têm cenas que interessantes. O que posso dizer é que cada um desses três atores talentosos provam que estrelas de cinema ainda existem.

Este é o nono filme de Tarantino, e ele afirma que vai parar de fazer filmes depois do décimo. Há várias situações que podemos contar em um filme de Quentin Tarantino. Mas, o mais importante, é o elenco. Ela é a base de apoio para as suas longas narrativas.

Sobre o elenco de Era Uma Vez em… Hollywood

Margaret Qualley rouba a cena como Pussycat, uma das garotas da família Manson. Emile Hirsch interpreta o cabeleireiro Jay Sebring, um dos que estavam na casa da Tate, naquela noite fatídica. Mike Moh interpreta Bruce Lee de forma tão convincente que fiquei momentaneamente confuso quando ele tirou os óculos escuros.

Mike Moh interpreta Bruce Lee
Mike Moh interpreta Bruce Lee

Também fazem aparições: Kurt Russell (como um coordenador de cenas de ação e narrador). Michael Madsen (como ator) e Bruce Dern como George Spahn (um substituto tardio após o falecimento de Burt Reynolds).

Outros de destaque incluem: Maya Hawke (filha de Uma Thurman), Austin Butler como Tex Watson. Rumer Willis (filha de Bruce) como atriz Joanna Pettet. Damian Lewis como Steve McQueen. Al Pacino como o agente Marvin Schwarzs. Dakota Fanning como Squeaky Fromme, e o falecido Luke Perry como o ator Wayne Maunder (“Lancer”).



Clu Gulager, de 90 anos, faz uma aparição, e Nicholas Hammond entra em seu papel como o diretor Sam Wanamaker. Há até mesmo, uma capa do guia de TV apresentando o falecido grande ator Andrew Duggan (“Lancer”). Alguns destes tem aparições rápidas, mas ainda sim é fascinante vê-los em ação.

Análise Era Uma Vez em… Hollywood

Tarantino fez um trabalho notável ao recriar o visual de Sunset Boulevard, Hollywood Boulevard e Cielo Drive.

Robert Richardson (três vezes vencedor do Oscar com os filmes Hugo, o aviador e JFK) trabalha em seu sexto filme. Ele consegue captar a aparência e a vibração de uma época para o diretor.

Já se passaram três anos e meio desde a filmagem de Os Oito Odiados. O seu pior em termos de críticas. Este é claramente pessoal, pois captura o tempo e o lugar em que ele se apaixonou pelo cinema.

Era Uma Vez Em Hollywood
Era Uma Vez Em Hollywood – Pitt, DiCaprio, Robbie.

1969 era uma época de transição nos Estados Unidos. Uma nova cultura estava pairando sobre o ar. Qualquer que fosse a inocência, ela foi certamente extinta.

Como de costume, o uso da música serve a um propósito. Somos tratados com Roy Head, The Royal Guardsmen e Paul Revere e os Raiders, entre outros. O Quentin Tarantino também nos mostra muitos pés descalços (outra marca registrada). O que é incomum é que o filme não tem o diálogo em massa, umas de suas marcas registradas.

Sobre Quentin Tarantino

Quentin Tarantino é um viciado em filmes que ganhou o direito de dirigir os filmes que quiser. Este filme levou uma vida inteira para acontecer, cinco anos para escrever e levará 161 minutos para assistir. Foi calorosamente recebido em Cannes, mas ninguém pode esperar “pegar” tudo que é mostrado em tela, numa só exibição.

Quentin Tarantino - Era Uma Vez em… Hollywood
Quentin Tarantino – Era Uma Vez em… Hollywood

Dito isso, ver apenas uma única vez, provavelmente será uma experiência pobre demais para algumas pessoas. Especialmente para muitos que tenham menos de 40 anos e que não têm lembranças daquela Hollywood.

Alguns classificarão isso como uma viagem de nostalgia excessiva. E eles provavelmente estão certos. Mas, para aqueles que reclamam dos remakes, recadinhos e histórias em quadrinhos, não há como negar que Tarantino oferece uma experiência visual única e criativa – e isso não é para todos.

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